Aécio diz que é alvo de 'criminosa armação' e lamenta sua 'ingenuidade' após gravação

Aécio diz que é alvo de 'criminosa armação' e lamenta sua 'ingenuidade' após gravação
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) se declarou inocente das acusações das quais é alvo após divulgação do áudio de sua conversa com o empresário Joesley Batista. Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira (22), o tucano lamentou "sinceramente" sua "ingenuidade" por não saber que tinha à sua frente um "criminoso sem escrúpulos", "querendo apenas forjar citações que o ajudassem nos benefícios de sua delação". "Além do mais, usei um vocabulário que não costumo usar, e me penitencio por isso, ao me referir a autoridades públicas com as quais já me desculpei pessoalmente", escreveu. O senador destacou que não cometeu crime nenhum, inclusive, os R$ 60 milhões recebidos em 2014 da JBS, empresa da qual Joesley é sócio, foram doação de campanha para o PSDB naquele ano. Sobre sua irmã, Andrea Neves, presa na última quinta (18), Aécio disse que ela não conhecia o empresário, apenas o contatou para oferecer um apartamento onde mora a matriarca da família, por herança do seu falecido marido. "Parte desse valor nos ajudaria a arcar com os custos de minha defesa. Foi do delator a sugestão de fazer um empréstimo com recursos lícitos, que ele chamava 'das suas lojinhas', e que seria naturalmente regularizado por meio de contrato de mútuo, até para que os advogados pudessem ser pagos. O contrato apenas não foi celebrado porque a intenção do delator não era esta, mas sim criar artificialmente um fato que gerasse suspeição e contribuísse para sua delação", continuou o tucano afastado da presidência do PSDB, após divulgação da gravação. Aécio reconheceu apenas que errou ao procurar quem não deveria e ao pedir que sua irmã se encontrasse com Joesley, que arquitetou um "macabro" e "criminoso" plano para obter vantagens em seu acordo. O senador afirmou que não há motivos para suspensão do seu mandato parlamentar e que nenhum dos seus atos legislativos e políticos demonstram qualquer intenção em obstruir a Operação Lava Jato ou qualquer outra investigação. "Acredito na força da nossa democracia, confio na Justiça e na integridade das nossas instituições. Estou convicto de que, ao cabo do devido processo legal e do desenrolar das investigações, a verdade prevalecerá e a correção de meus atos e de meus familiares restará provada", acrescentou. Aécio foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, para custear gastos com honorários advocatícios. Os recursos foram repassados ao primo do senador, Frederico Pacheco de Medeiros, e foram depositados numa empresa do senador Zezé Perrella (PSDB-MG).