Padrasto confessa ter matado acidentalmente garoto de 9 anos

Chale de Jesus vai responder por homicídio culposo - Foto: Euzeni Daltro | Ag. A TARDEComunidade protesta na entrada de Barra de Pojuca, na Linha Verde
O padrasto de Guilherme Santos Silva, 9 anos, Charles de Jesus Santos, 27, confessou à polícia que foi ele quem matou acidentalmente o garoto na tarde de terça-feira (22), quando foram buscar jaca em um sítio na localidade de Cachoeirinha, em Barra do Pojuca, distrito de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Antes de assumir a autoria do disparo, o padrasto havia contado à família uma versão de que a criança foi morta por engano por uma pessoa não identificada e que o alvo seria o caseiro do sítio, conhecido como Neném.
O padrastro foi autuado em flagrante por homicídio culposo pela titular da 33ª Delegacia (Monte Gordo), Aymara Bandeira Vaccani, e será levado para a carceragem da 26ª Delegacia (Abrantes), onde ficará à disposição da Justiça. A arma usada foi uma espingarda calibre 12. Ainda de acordo com a polícia, em depoimento, Charles disse que ao chegar no sítio encontrou a arma embaixo da cama do caseiro, começou a manuseá-la e que o disparo que atingiu a nunca do menino ocorreu acidentalmente. A mãe da vítima esteve na delegacia, mas estava muita abalada, e não teve condições de prestar depoimento. A titular da unidade espera ouvir também o caseiro do sítio, que teria fugido após a morte da criança.
A família contou aque Charles não queria levar a criança para o sítio e que o garoto chorou três vezes para convencer o padastro a levá-lo. O crime chocou a comunidade onde a família vive. Cerca de 300 pessoas participam de uma manifestação na localidade nesta tarde (23), pedindo justiça.Os manifestantes queimaram pneus e fecharam a entrada de Barra de Pojuca, na Linha Verde. A polícia chegou ao local, mas a via permanece fechada.
Cerca de 300 pessoas participam de uma manifestação na localidade nesta tarde (Foto: Milena Teixeira/CORREIO)
Apesar de nunca terem suspeitado que Charles teria efetuado o disparo, a família da vítima não acredita que a morte tenha ocorrido acidentalmente. "Ele contou várias versões. Hoje, quando fomos ao Instituto Médico Legal para reconhecer o corpo de Guilherme, vimos o rosto dele todo queimado de pólvora. Foi um tiro à queima roupa. Não vamos aceitar que a morte seja tratada como um crime acidental. Vamos ao Ministério Público porque ele premeditou esse crime. Foi frio e calculista, levou o menino para matar", disse um dos tios da vítima, Josué Rodrigues.
Também tio da criança, Luiz Antônio Rodrigues conta que a família soube pela televisão que Charles tinha confessado que efetuou o disparo. "Mesmo que tenha sido acidental, ele mentiu. Minha irmã até agora está sem acreditar, porque a relação deles era boa. Estavam sempre juntos. Guilherme tinha uma aproximação com o pai, mas era mais apegado a Charles. Foi uma bomba pra gente", disse.