NOTÍCIAS 24HS

Post Top Ad

Your Ad Spot

sexta-feira, 23 de março de 2018

Museu de Arte da Bahia inaugura exposição "Casa de Purgar"

                   g
No  próximo dia 27 de março, às 19h, o Museu de Arte da Bahia abrirá a exposição “Casa de purgar”, do artista visual Tiago Sant’Ana. A mostra reúne trabalhos em performance, fotografia e vídeo, tendo os antigos engenhos de açúcar do Recôncavo baiano como principal lugar de investigação. Para o artista, o açúcar ainda carrega consigo uma metáfora para discutir as estratificações sociais e raciais do Brasil. “O açúcar moveu durante séculos a máquina colonial, sobretudo na Bahia, que se apoiava não somente na ideia do lucro e da propriedade, mas também da subjugação e escravização de povos negros”, contextualiza.

Para criar performances que serão exibidas em mostra individual, esta expo do MAB explora as ruínas da escravidão no Recôncavo da Bahia. O artista é um dos indicados ao Prêmio PIPA 2018, uma das principais premiações das artes visuais brasileiras.

A mostra ressalta a necessidade de olhar os fluxos contemporâneos tomando a memória e o patrimônio como universos produtivos. Assim, as estruturas dos antigos engenhos coloniais servem como espaço de imersão para o artista realizar uma série de performances que chamam atenção para o trabalho negro e o espaço que ele ocupa tanto no passado colonial quanto na contemporaneidade. “Em um dos trabalhos, eu realizo a ação de passar roupas continuamente nas construções de um antigo engenho. O ferro elétrico, os instrumentos que utilizo, são atuais. Mas a ação de estar naquele lugar desempenhando aquela atividade remete a um passado de escravismo colonial pautado no racismo e na exploração que permanecem ainda hoje”.

A exposição é uma composição poética de crítica decolonial num momento em que a história e a arte tentam revisitar as narrativas do passado brasileiro a partir de um outro viés que se afasta de um olhar eurocêntrico. A ideia de colonialidade é central para a composição dos trabalhos reunidos na exposição. Colonialidade pode ser entendida a permanência de uma chaga colonial, mesmo depois do desembarque da máquina portuguesa no Brasil. Ou seja, a sociedade contemporânea permanece vivendo sob uma égide colonial mediante as desigualdades raciais e sociais ainda presentes.

Post Top Ad

Your Ad Spot

MAIN MENU