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quinta-feira, 5 de julho de 2018

Baianos peregrinam para pagar conta de luz

Como em época de liquidação, a loja ainda estava fechada e uma fila já se formava na porta da Casas Bahia, da Baixa dos Sapateiros, em Salvador, por volta das 8h55 de ontem. Mas ninguém queria comprar nada, ao contrário, todos estavam ali aguardando para pagar boletos, dentre eles, os de energia elétrica. A conta de luz deixou de ser aceita nas lotéricas do estado há pouco mais de um mês, o que tem gerando transtorno para muita gente.

De acordo com a Coelba, a mudança se deu após a concessionária não obter êxito em negociação com a Caixa Econômica Federal (CEF), que apresentou um reajuste de 54% no valor da tarifa por fatura arrecadada.  O aumento motivou o rompimento do convênio. Quem não tem conta bancária para pagar a conta no autoatendimento ou no débito automático tem peregrinado para conseguir quitar a fatura de eletricidade. 

José Neto dos Anjos, de 31 anos, sabe bem o que é isso. Morador do Barbalho, o encarregado de operações costumava pagar a conta de luz em uma loteria do bairro. Mas, ontem ele teve que se deslocar até a Baixa dos Sapateiros para resolver a pendência.

“Só tem (ponto de pagamento) na Liberdade ou aqui na Casas Bahia. Tem sido muito difícil, não só para mim, como para outras pessoas também, que precisam se deslocar de seus bairros para outras regiões para pagar a conta. Tirei a manhã só para fazer isso e ainda tenho que esperar até 9h. Antes eu ia na lotérica às 8h e já pagava”, explicou.

A cozinheira Elenice Francisca de Jesus, de 54 anos, saiu das proximidades da  Ceasa, na Região Metropolitana de Salvador, com o mesmo objetivo. Segundo Elenice, o único local que recebe o pagamento do boleto fica    distante de sua casa, em uma agência da própria Coelba, no centro de Simões Filho.  Além da distância, de acordo com ela, o local possui outros problemas de acesso.

"Eu tenho dificuldades para subir as escadas, por causa de meu problema no joelho. Então, eu tenho que procurar um lugar plano, como era na Estação Pirajá, que agora não aceita mais. E lá onde eu moro, no Residencial Coração de Maria, tem que pagar R$1,50 por cada boleto. Aí fica difícil”, lamentou a mulher, que está desempregada.

A Coelba diz que disponibiliza mais de 700 estabelecimentos credenciados na Bahia como uma das opções de pagamento da conta. No entanto, a quantidade de estabelecimentos se mostra pequena para atender a demanda. No site da empresa, dos 163 bairros da capital, apenas 20 aparecem na lista de locais com rede credenciada  para  pagamento. Em bairros populosos, como Brotas, existe somente um local vinculado à concessionária para atender os moradores.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Caixa Econômica Federal informou que a Coelba que optou por não aceitar os termos do acordo. Nesse sentindo, depende da concessionária uma possível retomada de negociação.

A Coelba rebateu, através de nota, que tem  disposição para dialogar e manter aberta a negociação, desde que "a CEF reveja o reajuste e apresente condições viáveis e compatíveis com o mercado". A empresa afirmou, ainda, que possui uma ampla rede de arrecadação, com mais de quatro mil pontos, entre rede própria, instituições bancárias e correspondentes bancários.

“A consulta da rede credenciada pode ser realizada pelo site: www.coelba.com.br. Além de poder pagar as contas em diversos pontos comerciais como farmácias, mercadinhos e papelarias, os clientes dispõem da possibilidade de quitação das faturas on-line, pelo site, aplicativo Coelba ou por meio de débito automático, sem a necessidade de deslocamento do cliente”, informou o comunicado.

A concessionária  frisou que a cobrança de taxas extras para quitar a  fatura de energia é indevida. Caso o cliente seja cobrado, ele deve entrar em contato com a empresa e denunciar a situação.

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