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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Conecte-se com moderação

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“Nenhuma tecnologia impactou tanto a humanidade em tão pouco tempo quanto o smartphone”. Se alguém duvida, basta olhar para o lado e perceber a veracidade da frase dita pela jornalista, escritora e roteirista de TV Rosana Hermann, 61 anos. Ver as mesas de bar cheias de pessoas mergulhadas no celular, sem trocar uma palavra, não é suficiente? Então é só fazer o exercício de pensar em como foi seu dia hoje.

Atire a primeira pedra quem não acordou e pegou no celular como primeira ação do dia. Ou quem não conseguiu tomar café sem checar as notificações que pipocaram na tela enquanto a comida estava no fogo. Pois esses são apenas alguns dos exemplos citados pela paulista Rosana no livro Celular, Doce Lar (R$ 49,90/176 páginas | R$ 29,90/ e-book), recém-lançado pela Editora Sextante.

A dependência do aparelho que virou a principal companhia das pessoas nas academias, no trabalho e em casa é tema do livro que tem prefácio de Fábio Porchat. Na obra, a autora mistura histórias pessoais às de personalidades como Camila Pitanga, Luciano Huck e Rafinha Bastos, que dão depoimentos exclusivos sobre suas experiências com a tecnologia mais popular de todos os tempos.

O próprio Porchat brinca com isso, no prefácio, com o humor que lhe é característico. “Tão bom poder falar de alguém que a gente admira. A Rosana Hermann é... Peraí, só um minuto que tá tocando aqui meu celular. Pronto, desliguei”, brinca, enquanto pede desculpas ao leitor e diz que era a mãe quem estava ligando enquanto escrevia.

LEVEZA

Munida do humor - também presente nos quadrinhos ácidos de André Dahmer -, Rosana ilustra o complexo relacionamento das pessoas com os celulares. Além dos “causos”, a obra reúne dados recentes de pesquisas da Psicologia Comportamental e da Neurociência e apresenta um compilado de dicas de como amenizar a dependência.

“Transformamos o celular num lugar onde a gente habita. Passamos praticamente mais horas no mundo do celular, das redes, das conexões, do que fora dele. A gente entrou nesse mundo e fez morada”, diz a autora ao CORREIO, fazendo um alerta sobre a gravidade do problema. O Brasil, destaca, é o terceiro país do mundo que passa mais tempo conectado ao aparelho, atrás da Tailândia e da Arábia Saudita.

Longe da censura e do julgamento, porém, a autora investe no humor para tratar do assunto que é sério. Roteirista de programas como Sai de Baixo, na Globo, Vai que Cola, no Multishow, e Pânico na TV, na Rede TV, Rosana acredita que o humor tem o poder de colocar o indivíduo em um estado de espírito mais leve.

“Essa leveza faz com que a pessoa esteja em um ambiente amistoso para falar de um vício socialmente aprovado e que todo mundo faz. Durante anos, o cigarro foi uma coisa glamourosa e demorou décadas para as pessoas perceberem que o cigarro mata”, compara a jornalista, que atualmente apresenta o programa Porta Afora com Fábio Porchat, no canal do Porta dos Fundos no YouTube.

FOCO

É dessa forma que Celular, Doce Lar convida o leitor a discutir sua relação com o aparelho. Do homo erectus ao “homo encolhidus”, ou “homo celularis”, brinca Rosana, o que está em questão é ter limite e saber dosar o tempo de conexão. “O corpo humano é feito para viver em movimento. Por que a gente tem esse desespero de fazer tudo na frente da tela?”, provoca.

A autora revela que ela própria viveu isso enquanto esperava a ligação do CORREIO. Para não ficar parada, aproveitou para entrar no site de uma papelaria e começou a fazer a compra. “Aí pensei: ‘espera um pouco. Tem essa loja na minha rua, por que vou esperar dias para a entrega se posso ir lá?’ Peguei minha bolsa e fui. Cheguei agora”, conta orgulhosa.

O bem-estar digital é, portanto, a principal meta. Para isso, Rosana sugere desligar as notificações para não ficar refém delas, e ficar atento ao tempo de uso dos aplicativos. Da mesma forma, orienta que as pessoas aprendam a lidar com o tédio e com o ócio.

“Vejo as meninas no salão com algodão na unha e o celular na mão. Gente, a pessoa não consegue ficar 25 minutos do dia sem celular?”, provoca, enquanto reforça que esse excesso traz uma série de problemas como os de concentração. “Lógico que você perde o foco. O livro passa a ser chato e você faz tudo de maneira ansiosa e improdutiva. Mas o primeiro passo é a consciência. Você tem que colocar limite. Se distrair é tão gostoso, sabe?”, convida.

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